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cemiterio

Será que os textos de Mateus 27:52-53 são provas de que ocorreu uma ressurreição? Vamos ver de que assunto se trata este texto.

Versão das Escrituras Sagradas de João Ferreira de Almeida
“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos”.

Versão das Escrituras Sagradas da Tradução do Novo Mundo
“Novamente, Jesus clamou com alta voz e entregou o [seu] espírito. E eis que a cortina do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo, e a terra tremeu, e as rochas se fenderam. E abriram-se os túmulos memoriais e muitos corpos dos santos que tinham adormecido foram levantados, (e pessoas, saindo dentre os túmulos memoriais depois de ele ter sido levantado, entraram na cidade santa,) e tornaram-se visíveis a muitas pessoas”.

Depois de ler as duas versões, perceberá que existem diferenças na forma como ambas foram traduzidas. Uma tradução sugere uma ressurreição que tornou estes ressuscitados visíveis a outros. E a outra tradução sugere um levantamento de corpos, que ficaram visíveis às pessoas que andavam entre os túmulos.

Qual tradução estaria correta?  Qual delas se ajusta ao contexto geral das Escrituras?

Quando lemos na versão Almeida, certamente temos a idéia de que a declaração nesta passagem é de uma ressurreição, pois a palavra “ressuscitaram” aparece nesta versão. Mas uma análise mais detalhada, pode mostrar que de fato, esta não é a tradução mais acertada da palavra no idioma original em que foi escrita esta passagem, o idioma grego coiné. Pelo menos não nesta passagem.

Vamos citar algumas objeções a esta tradução, e mostrar que não existe base bíblica para sustentarmos que houve uma ressurreição nesta ocasião.

1º) – As Escrituras Sagradas nos fornecem informações precisas sobre a ressurreição de Jesus, e ela nos afirma [categoricamente] que Jesus é o primogênito dentre os mortos.

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência”. Colossenses 1:18.

Esta primazia de Cristo, não indica que ele tenha sido o primeiro humano a ser ressuscitado [afinal o próprio Senhor Jesus ressuscitou Lázaro anteriormente], mas sim que ele foi o primeiro a ser ressuscitado com objetivo de nunca mais morrer ou voltar à corrupção, ou seja, voltar a viver como mortal. Isto nos prova que se tivesse havido uma ressurreição nesta ocasião, Jesus não teria sido o primogênito dentre os mortos, pois teria ressurgido somente após estas outras pessoas. Certamente que não pode ser assim, pois as Escrituras não erram e Deus não se engana. 1 Coríntios 15:20,  Apocalipse 1:4.

2º) – Como sugere a versão Almeida, é muito improvável que pessoas ressuscitadas, tenham permanecido em seus túmulos vivas, até a ressurreição de Jesus no terceiro dia, sem terem ido até a cidade e serem vistas pelas pessoas. Aceitarisso seria um tanto fantasioso. Pois perceba o absurdo que a Versão Almeida nos mostra, uma “ressurreição” ocorrendo na morte de Jesus e tendo estas pessoas saído dentre os túmulos somente após a ressurreição de Jesus [ou seja, três dias após a sua morte].

3º) – O texto, na versão Almeida, igualmente menciona corpos sendo ressuscitados, que segundo estes religiosos tradutores, eram os corpos que estavam nos túmulos e que foram ressuscitados para o céu. Porém, [na vinda de Cristo], os corpos humanos nos sepulcros não serão os mesmos que serão ressuscitados para a vida no céu, antes, a vida celestial exige um novo corpo espiritual, sendo que este não é um corpo visível, mas invisível e adaptado ao céu. A alegação por parte de alguns de que não eram corpos físicos mas espirituais, deve também responder às perguntas:

  • Sendo estes corpos espirituais, como foram vistos pelas pessoas?
  • E por que estes corpos teriam saído dos sepulcros uma vez que segundo a crença da cristandade, estes santos estão ou no seio de Abraão ou no céu, não em túmulos?

  • Seria esta uma ressurreição já definitiva destes humanos, uma vez que seus corpos já teriam sido unidos aos seus espíritos? Certamente que não.

Mas a cristandade ao crer nesta versão, apoia isso. Assim, mesmo não aceitando a falsa crença na dicotomia humana, vemos que esta conclusão é a única a que os que creem numa ressurreição, nesta ocasião, podem chegar. 1 Coríntios 15:35-50   João 3:5-8.

4º) – Outra questão a ser respondida. O texto diz que “muitos” mas não “todos” os corpos dos santos foram levantados.  Se fosse uma ressurreição como diz a versão Almeida, poderiamos bem perguntar por que alguns dos “santos” teriam sido deixados, sem terem sido levados para o céu conforme crê a cristandade? Querer nos fazer aceitar que houve uma ressurreição de mortos na passagem de Mateus 27:52 é enganoso. Será que se realmente tivesse havido uma ressurreição de santos na ocasião, sendo estes vistos por muitos como alegam os defensores desta interpretação do texto, não teria Paulo apelado para este fato como prova de que há de fato ressurreição dentre os mortos. 1 Corintios 15:12-14.

5º) – Nenhum outro escritor bíblico menciona este evento, não falam de uma ressurreição. Nem mesmo o historiador judeu Flávio Josefo citou um exemplo destes, como sendo uma ressurreição.  Dificilmente um estudioso sério, formaria uma doutrina ou seria dogmático na formulação de uma doutrina, baseando-se apenas num texto bíblico no qual a tradução e interpretação encontra dificuldades. Há um total silencio sobre este episódio, o que é um tanto estranho já que muitos teriam visto os corpos destes ressurretos que segundo a interpretação destes, ainda estariam vivos por ocasião da escrita da carta de Paulo e do Escrito de Mateus. Mais infantil ainda seria mencionar que a notícia desta ressurreição não teria se espalhado por toda aquela região até mesmo sendo amplamente reconhecida como um fato.

6º) Paulo nos seus dias estavam fortemente posicionado contra a falsa doutrina da ressurreição dos santos em sua época, que estava sendo pregada por Himeneu e Fileto.  Paulo disse que aquela mentira era como uma gangrena que iria se espalhar. De fato, ela atingiu até mesmos os religiosos de nossos dias.

“Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns”. 2 Timóteo 2:16-18.

Se de fato tivesse ocorrido uma ressurreição na ocasião mencionada em Mateus 27, então na verdade quem estaria mentindo não seria Himeneu e Fileto, mas sim o apóstolo Paulo. Será que aceitaria você as palavras Himeneu e Fileto, ou as de Paulo? Paulo não menciona o evento mencionado em Mateus 27 como sendo uma ressurreição. Alias, Paulo chama de “falatórios vãos” o ensino de que houve ressurreição de cristãos no primeiro século.

7º) – 1 Coríntios 15:23, Paulo deixa claro que os que pertencem a Cristo teriam a sua ressurreição durante a sua vinda ou presença (parousía), o que evidentemente não se deu no primeiro século, mas haveria de ocorrer muitos séculos à frente, em nossa época:

“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda”. 1 Coríntios 15:22-23

Novamente estas palavras tornam impossível ter ocorrido uma ressurreição no primeiro século. Leia abaixo 1 Tessalonicenses 4:16 onde se diz que os mortos em união com Jesus se levantarão primeiro [depois os que estivermos vivos], e isso ocorrendo na sua “vinda”.

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. 1 Tessalonicenses 4:16-17.

Esta união com Cristo, não significa que já estão no céu, pois isso tornaria desnecessária a ressurreição.  União com Cristo aqui se refere a união na semelhança de sua morte.  Romanos 6:5.

Alguns alegam que o texto de Efésios 4:7-10 expressa uma ressurreição como tendo sido feita na ocasião da ascensão de Jesus ao céu. Dizem que ele levou cativos os santos que estavam no Hades. (segundo estes religiosos o hades é um lugar de atividade após a morte). Outros religiosos já dizem que Jesus não levaria “cativos” ao céu, mas que o texto se referia aos espíritos em prisão.

O fato é que isso não encontra respaldo nas Escrituras.

Observe que quando estes religiosos tentam provar suas alegações, eles acabam indo contra as Escrituras. Observe, eles dizem que esta ressurreição mencionada em Mateus 27 é a mesma de Efésios 4, quando os servos de Deus do “antigo testamento” foram levados ao céu por ocasião da ressurreição de Jesus:

“Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Por isso diz:Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens. Ora, que é isto— ele subiu—, o que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas”. Efésios 4:7-10.

Porém, [este entendimento] se choca com a declaração de Pedro muitos dias após a ressurreição de Jesus, Pedro menciona que Davi não ascendeu aos céus e seu túmulo ainda permanecia entre eles até os seus dias, ou seja, até a ocasião de Pedro dizer estas palavras os santos não haviam sido ressuscitados. E ele cita Davi como exemplo:

“Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz:Disse o Senhor ao meu Senhor:Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés”. Atos 2:32-35.

Assim, vemos que existem fortes evidências contra uma ressurreição. Mas então o que realmente ocorreu nesta ocasião? Vamos analisar?

Análise Verdadeira do Fato Ocorrido

A palavra grega que consta neste texto não significa ressurreição (apesar de, dependendo do contexto, ela poder ser entendida neste sentido). Na verdade ela significa um levantamento, o ato de levantar. Como por exemplo em Marcos 2:11, onde Jesus se dirige a um paralítico.

“Eu te digo: Levanta-te, apanha a tua maca e vai para a tua casa”. Marcos 2:11.

A palavra grega traduzida por “levanta-te”, é Egeiro, e é a mesma que consta em Mateus 27:52. Assim, podemos corretamente traduzir que houve um levantamento de corpos de entre os túmulos por ocasião da morte de Jesus, pois nos fala o registro bíblico que um forte abalo sísmico ocorreu em Jerusalém, o qual certamente foi responsável pelos danos causados nos sepulcros e no templo, o qual expôs o santo dos santos [e o véu se rasgou]. Ora, para que o véu se rasgasse em duas partes, certamente houve deslocamento de terra que distanciou as paredes, fendeu rochas, fez a terra tremer:

“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras” Mateus 27:50-51.

Consequentemente os cadáveres que estavam nos túmulos memoriais ficaram expostos ao terem seus corpos levantados pelo terremoto.

Versão das Escrituras Sagradas da Tradução do Novo Mundo
“Novamente, Jesus clamou com alta voz e entregou o [seu] espírito. E eis que a cortina do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo, e a terra tremeu, e as rochas se fenderam. E abriram-se os túmulos memoriais e muitos corpos dos santos que tinham adormecido foram levantados, (e pessoas, saindo dentre os túmulos memoriais depois de ele ter sido levantado, entraram na cidade santa,) e tornaram-se visíveis a muitas pessoas”.

Assim, ao racharem as rochas e os túmulos, se tornaram visíveis os corpos somente no terceiro dia, em razão do Messias ter sido sepultado numa rocha, e não no cemitério. Não se menciona aonde os outros dois criminosos tenham sido levados, mas é provável que tenham sido lançados no vale de Hinom.

Aonde Jesus teria sido lançado se José não tivesse solicitado a Pilatos pelo corpo. Mateus 27:57-60.

Era já próxima da noitinha, e os Judeus estavam para entrar no descanso sabático durante o qual não faziam nenhuma tarefa, nem mesmo caminhar distâncias maiores que 800 metros. Jamais entrariam num cemitério antes de chegar o domingo, pois estariam sob o risco de encostar em um dos túmulos e tornarem-se cerimonialmente impuros.   Lucas 23:54  Números 19:16.

Por isso, após o sábado, no terceiro dia depois de Jesus ter sido ressuscitado, o que foi bem de manhã cedo, estes corpos se tornaram visíveis a todas as pessoas que lá foram, e saindo elas dentre estes túmulos memoriais, entraram na cidade de Jerusalém e relataram a todos o ocorrido. Note também que se diz que “muitos dos corpos dos santos”, e não “todos os corpos” foram levantados, isso deixa claro que algumas sepulturas suportaram o abalo sísmico.

Fato Semelhante na História Contemporânea

Algo similar aconteceu na cidade de Sonson, na Colômbia, em 1962. El Tiempo (31 de julho de 1962) noticiou:

“Duzentos cadáveres no cemitério desta cidade foram lançados fora de seus túmulos pelo violento tremor de terra.” Pessoas que passavam por ali ou através daquele cemitério viram os cadáveres, e, em resultado, muitos de Sonson tiveram de ir para lá e enterrar de novo seus parentes falecidos.

“Temos hoje o cheiro dos mortos que têm estado adormecidos nos túmulos”, disse certo trabalhador da Cruz Vermelha, descrevendo o surpreendente efeito dum forte terremoto que atingiu Popayán, na Colômbia, pouco antes do fim de semana da Páscoa. “Os túmulos do cemitério se abriram e os cadáveres saíram. Nunca vi nada igual.” Conforme noticiado no Times de S. Petersburg, o trabalhador da Cruz Vermelha ficou pasmado “diante da visão de cadáveres irrompendo dos túmulos nos cemitérios desta cidade montanhesa. O tremor que naquela quinta-feira abalou esta cidade de 200.000 habitantes foi tão violento que as paredes dos mausoléus ruíram, expondo os caixões. . . . A cidade foi abalada como se Deus tivesse usado uma britadeira nela”.

Assim, percebemos que o texto de Mateus 27:52 não relata uma ressurreição de mortos, mas sim um levantamento de corpos dentre os túmulos que sofreram abalos devido a um intenso terremoto por ocasião da morte de nosso Senhor Jesus. Esta tradução e entendimento está de acordo com o contexto geral das Escrituras e é a forma pela qual a Tradução do Novo Mundo verteu tal passagem.

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”. 2 Timóteo 4:3-4.

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